A xícara que esfria devagar
Há manhãs em que o tempo não corre, ele apenas repousa, morno, no fundo de uma xícara esquecida sobre a mesa.
Acordei antes do sol, como quem foge de um sonho que já não lembra. A casa estava naquele silêncio que só existe muito cedo, quando até os móveis parecem respirar mais devagar. Fiz café por hábito, não por fome. E foi ali, encostado no batente da cozinha, que percebi uma coisa simples e definitiva: eu havia esquecido como era não ter pressa.
A primeira letra maiúscula deste parágrafo abre como numa página de livro, um pequeno gesto tipográfico que convida a começar. É disso que trata este caderno: de começos pequenos, quase invisíveis, que carregam o dia inteiro nas costas.
Sobre guardar as coisas miúdas
Aprendi tarde que memória não é o que a gente lembra, mas o que a gente escolhe reler. Por isso escrevo. Não para os outros, embora vocês, poucos e queridos, estejam lendo, mas para o eu de daqui a dez anos, que vai querer saber como era o cheiro desta cozinha numa manhã de julho.
Escrever é uma forma de deixar a xícara esfriar devagar, sem culpa.
Há quem colecione selos, moedas, ímãs de geladeira. Eu coleciono frases soltas, aquelas que a gente ouve no ônibus e não esquece mais. Guardo-as num caderno físico, de capa gasta, que anda comigo há anos. Este blog é a versão digital desse caderno, mais organizada, talvez, mas com a mesma intenção: *não deixar escapar*.
Uma lista do que ainda quero contar
Antes que o café esfrie de vez, deixo aqui algumas promessas para os próximos relatos:
- Contar sobre mim
- Contar sobre como cheguei até aqui e aonde quero chegar
- Profissão
- decepção amorosa
- quem sabe um novo amor
- e outras coisas que somente aqui irei compartilhar
Por ora, é isto. Um texto pequeno, morno, sem grandes conclusões. Se você chegou até aqui, obrigado por dividir comigo este pedaço de silêncio. A xícara já esfriou, e está tudo bem.
Jônatas